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Líder dos agricultores franceses convoca: "A hora é de rebelião contra a ‘globalização"

Mais de 50 mil pessoas tomaram as ruas em torno do tribunal da cidade de Millau, na França, no último dia 30, em apoio a José Bové, líder da Confederação Camponesa Francesa e a outros nove camponeses que estão sendo julgados por tentarem impedir a construção de uma loja McDonald’s durante protesto contra o a "globalização" e o FMI, em agosto do ano passado.

"Esse ato é para dizer que não recuaremos em nada. Vamos agir e reagir. É a rebelião e a resistência que estão na ordem do dia", afirmou para a multidão José Bové.

O manifestantes, vindos de vários países e diversas regiões da França, começaram a chegar desde as nove da manhã. "O mundo não está a venda", diziam os manifestantes. "Não se serve Coca-Cola", avisavam os cartazes em vários bares e restaurantes.

"A única lei que existe para os grupos multinacionais é a da OMC, a qual cumpre a lógica dos monopólios. A OMC quer que as grandes empresas passem por cima dos Estados e das legislações nacionais".

Sobre o julgamento, Bové afirmou que "a justiça funciona hoje como o braço armado de uma forma de sociedade onde o conflito social se converte em um ato ilegal. Querem nos conduzir a uma situação onde somente as petições e os desfiles estariam permitidos. Se não tomarmos cuidado, dentro de pouco tempo os sindicatos terão que ir aos tribunais para fazer greves", ironizou.

Millau é um pólo agrícola do sul da França, e têm como principal produto o queijo roquefort. O produto foi um dos produtos franceses prejudicados pelos EUA que resolveram sobretaxar artigos europeus em resposta à proibição da União Européia de alimentos transgênicos no ano passado. Os agricultores tomaram as ruas para rechaçar a ação ianque e, entre outras iniciativas, impediram a construção de um McDonald’s em Millau.

Redação

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