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"Inflação" do governo esconde a explosão de preços no real

Maquiagem dos institutos de pesquisa servem apenas para tentar negar que o rei está nu

Os índices "oficiais" de inflação divulgados e amplamente propagandeados pelo governo encobrem um jogo de números que procuram mascarar a realidade: o aumento galopante de preços e tarifas que não passa desapercebido no bolso e no salário congelado da população.

Os itens que compõem as despesas gerais da população como aluguel, gás, transporte coletivo e medicamentos tiveram aumentos estratosféricos bem acima da tal "inflação" papagaiada pelo governo, como monstra o estudo do Dieese: aluguéis e condomínios bateram todos os recordes e subiram 402,7% nos últimos 5 anos (de julho de 94 a julho de 99), seguidos pelos medicamentos com 347%; butijão de gás 156,4%; transporte coletivo 139,3%; gasolina 133% e planos de saúde 137,6% (veja quadro).

Apesar da explosão de preços ser constatada pelos próprios institutos de pesquisa, elas não aparecem nas estatísticas do governo: nos últimos 5 anos, segundo a Fipe, a inflação foi de apenas 80,56%. No primeiro semestre desde ano, como foi amplamente noticiado esta semana, o índice de inflação seria de 0,87%. Como é possível se neste semestre a gasolina aumentou várias vezes? Se em maio apenas os remédios subiram 65%? Se em junho o leite aumentou 26%, o feijão 5,21%, o telefone 10,5%, o gás 9,49%, etc...?

Para chegar a essa "inflação mínima" os institutos retardam a atualização do peso de cada item no orçamento familiar ou aceleram essa atualização de forma a tornar o índice o mais baixo possível. Enquanto o aluguel sofria aumentos gigantescos nos dois primeiros anos do real, seu peso no cálculo geral da inflação era mantido em percentuais baixos. Bastou o custo do aluguel se estabilizar que o seu peso no cálculo subiu, ignorando o brutal aumento que havia sofrido no período.

Para a Fipe, na "cesta de consumo" de uma família com renda mensal de dois a vinte salários mínimos, o gasto com remédios representa 2,5% das despesas, enquanto as despesas com cigarros e bebidas representam 4,3%. Dessa forma, os medicamentos, cujos preços explodiram durante o real acumulando aumentos de 347%, têm seu peso no orçamento reduzido, enquanto os cigarros, que estão com os preços estabilizados, tem um peso quase duas vezes maior.

Desde que FH assumiu, a farsa da inflação tem servido única e exclusivamente para camuflar o gigantesco arrocho nos salários - que nem de perto acompanharam os aumentos absurdos de preços - e a alarmante situação da população, cuja perda de poder aquisitivo vem batendo consecutivos recordes históricos.

Redação

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