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Sérgio Motta é quem tinha negócios com a

MetroRED

A MetroRED, empresa pertencente ao fundo especulativo norte-americano "Fidelity", depois de subornar "algum funcionário público", como ela própria disse - e pagar nos EUA -, obteve do Ministério das Comunicações, à época em que Sérgio Motta era seu titular, o direito de atuar no Brasil e explorar gratuitamente o filé mignon da transmissão dados através de fibras óticas.

A autorização "gratuita" que a MetroRED obteve junto ao Ministério das Comunicações para atuar no Brasil permitiu a ela instalar 45 quilômetros de fibras óticas em São Paulo. Não foi a Prefeitura de São Paulo que autorizou ou deixou de autorizar o seu funcionamento. Da prefeitura, a MetroRED nunca obteve nada. Até a regulamentação da instalação de fibras óticas na cidade de São Paulo, feita em janeiro de 1999, ela trabalhou de forma clandestina, ou melhor, com a autorização "dada" por Sérgio Motta.

Portanto, quem tinha "negócios" com a MetroRED era Sérgio Motta e não a Prefeitura de São Paulo. E, se a MetroRED tinha vínculos com a empresa de Oscar de Barros, em Miami - a Overland Advisory Services - o que se pode concluir é que existia ligação entre Motta e a Overland Advisory Services. Oscar de Barros foi preso recentemente, pela polícia americana, juntamente com José Maria Ferraz, acusados de lavagem de dinheiro do narcotráfico.

A especialidade da Overland Advisory Services é orientar a abertura de empresas de fachada em paraísos fiscais. Empresas de fachada exatamente iguais à CH, J & T que, segundo o dossiê Cayman, pertence a Fernando Henrique, Mário Covas, José Serra e Sérgio Motta.

Não é à toa que o chantagista tenha feito questão de deixar no canto de um manuscrito do dossiê, o nome da Overland Advisory. A explicação para isso é que o chantagista queria mesmo que o nome da empresa ficasse visível. Queria que os tucanos vissem o seu nome. Afinal, aparecer o nome da empresa, conhecida deles, fortalecia sua chantagem.

 

Líder do PL cobra do engavetador-geral reabertura das investigações sobre as contas nas Cayman

O líder do PL na Câmara dos Deputados, Valdemar Costa Neto (SP), enviou ofício no último dia 5 ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, cobrando a ida de um representante do Ministério Público a Miami para acompanhar a prisão dos empresários Oscar de Barros e José Maria Teixeira Ferraz e dar continuidade às investigações sobre as contas secretas nas Ilhas Cayman.

"Quais providências pretende tomar?", perguntou o deputado, que exige há nove meses que a Procuradoria determine a reabertura das investigações sobre o caso, depois que o procurador da República, Luiz Augusto Santos Lima, negou o pedido do delegado Paulo de Tarso Teixeira para enviar Cartas Rogatórias às Bahamas, com o objetivo de descobrir os nomes dos sócios da empresa CH, J & T e decidiu, em fevereiro de 99, pelo arquivamento do inquérito instaurado pela Polícia Federal. "Com o pedido da PF para prosseguir nas investigações, seria conveniente, penso, que tal inquérito prosseguisse", observou Costa Neto, ao questionar a atitude do procurador em junho de 99.

O deputado tomou a iniciativa de cobrar uma posição da Procuradoria-Geral da República após as declarações de Jamil Degan, um dos chantagistas.

A redação

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