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Eduardo Jorge insinua abrir o bico e FH corre a defendê-lo

O estouro de mais um escândalo no governo de Fernando Henrique, propiciado pela descoberta da ponta do iceberg que foi o assalto, armado por seu secretário particular, Edu-ardo Jorge Caldas, em conluio com o juiz Lalau e o senador governista Luiz Estevão - na verba de R$ 231 milhões destinada às obras do prédio do TRT de São Paulo - abriu uma crise sem precedentes e está gerando uma reação destemperada da quadrilha tucana e principalmente do chefe do bando.

Eles tentaram fingir que o caso não era com eles. FH disse que ele não sabia de nada, mas bastou o acuado comparsa Eduardo Jorge ameaçar abrir o bico para tudo desmoronar.

FLAGRANTE

Atordoado com o flagrante, a primeira reação de Fernando Henrique foi tentar se desvencilhar de seu caixa de campanha. Quis convencer que Eduardo Jorge, homem de sua total confiança há mais de quinze anos, agia sozinho, por conta própria. "O caso Eduardo Jorge é um caso individual", disse. E, com o objetivo de tentar livrar a pele e manter as aparências, FH decidiu jogar EJ aos leões. Como todo bom escroque - que entrega tudo, até a mãe se for preciso, para salvar o umbigo - FH decidiu abandonar e entregar o amigo. Perguntado se seu auxiliar teria usado seu nome para facilitar negócios, respondeu hipocritamente: "não tenho provas, mas não tenho dúvidas" e, num outro momento, "confessou" a um interlocutor que não podia "nem imaginar" o Eduardo "sentado em uma mesa contando dinheiro com o juiz Nicolau".

Eduardo Jorge, que não escondia de ninguém que agia sempre em nome e para Fernando Henrique, e que inclusive fazia propaganda disso aos quatro cantos, "continuo cuidando dos negócios do chefe, mesmo depois de ter saído de Brasília", disse, em uma entrevista recentemente - fez toda a armação do desvio do dinheiro do TRT com total cobertura do Planalto. A divulgação da assinatura do próprio FH no documento de liberação da verba deixou isso claro para toda a sociedade. Com a cobertura do chefe, que é o que dava poder a Eduardo Jorge, ele organizou a transferência do dinheiro roubado para a construtora Incal e posteriormente dela para as contas bancárias abertas no Caribe. No entanto, quando o assaltante flagrado percebeu que estava sendo abandonado pelos demais integrantes da quadrilha e que ia pagar sozinho por todos os crimes cometidos pelo bando, ameaçou botar a boca no mundo e contar tudo o que sabia.

AMEAÇA

O coordenador das duas campanhas de FH mandou vários recados aos tucanos.

Avisou que estava pronto para "brigar com quem fosse preciso". Deixou claro que estava se "preparando para a briga". "Seja com adversários, aliados ou ex-aliados", ameaçou Eduardo Jorge. Repetiu a ameaça aos vários interlocutores que o procuraram, a mando de Fernando Henrique, em sua residência, no Rio de

Janeiro. "Ninguém me defende", disse a todos eles. Fez questão de deixar claro que não ia ficar calado. Ameaçou contar tudo o que sabia.

E nenhum deles tinha dúvida de que Eduardo Jorge sabe de muita coisa. E essa disposição de EJ, levada ao conhecimento de FH, gerou um verdadeiro pânico no Palácio do Palácio. Logo começaram as reuniões de emergência para avaliar os estragos que as revelações de Eduardo Jorge trariam para o já desgastado e desmoralizado governo tucano. As avaliações foram feitas em encontros até tarde da noite.

O resultado das avaliações feitas às pressas no Planalto foi de que tinham que calar Eduardo Jorge a qualquer custo. Afinal ele vinha participando literalmente de quase todas as armações financeiras da gangue, desde que FH foi ministro da Fazenda. Ele não só participava das falcatruas como vinha sendo a figura principal em quase todas elas. Do esquema da Incal-TRT-Lalau, até o golpe milionário de

sua arapuca, a Meta, que, representando grupos estrangeiros, estava se preparando para participar do butim da venda do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), negociata, organizada pelo governo e que envolve bilhões de dólares, passando pelas falcatruas na "privatização" da Telebrás, nos contratos com a BrasilSaúde, com o Denatran, etc.

REVIRAVOLTA

No dia seguinte às ameaças de Eduardo Jorge o governo anunciou que tinha mudado de posição e desistido de tentar "desvincular sua imagem da de Fernando Henrique". Como num passe de mágica, o Planalto mudou o discurso. Passou a defender o seu secretário. Divulgou uma versão ridícula de que ele teria saído governo para ganhar mais dinheiro fora porque "ganhava pouco" dentro do esquema e que isso "era uma prova a seu favor". Como se vê, pela fragilidade das desculpas dadas pelo governo para "defender" Eduardo Jorge, eles estavam mesmo era morrendo de medo e apavorados com as "revelações" que ele ameaçou fazer. Que segredos são esses que fazem Fernando Henrique e toda a sua gangue tremer de medo e mudar tão rápido de posição? Por que tanto pavor? O que estão escondendo do país?

Depois dos sinais dados pelo Planalto de que havia mudado sua intenção inicial de abandoná-lo à própria sorte, Eduardo Jorge percebeu que sua ameaça tinha sido bem entendida pelos comparsas e surtido o efeito desejado. Daí ele retribuiu prometendo lealdade ao chefe. A lealdade a Fernando Henrique, a que se referiu Eduardo Jorge, é o silêncio sobre os crimes contra o país, cometidos pela quadrilha tucana. Sua lealdade ao "chefe" é manter o silêncio sobre o assalto perpetrado nos cofres e no patrimônio público do País. Mas, como o que já foi descoberto até agora pelo Ministério Público e pela CPI do Judiciário é muita coisa

  • as centenas de ligações telefônicas feitas entre Eduardo Jorge e Lalau e a liberação de verbas coincidindo com várias dessas ligações e a assinatura de FH no documento que liberava verba - será praticamente impossível abafar o caso e nem o mar de lama que tomou conta do Palácio do Planalto.
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    ABAFA

    Por isso não adianta tentar abafar o escândalo do TRT. Isso será inaceitável para toda população. A instalação imediata de uma CPI pelo Congresso Nacional para investigar tudo a fundo é uma exigência de toda a sociedade. Todos esses fatos devem ser esclarecidos. Isso interessa não só aos partidos de oposição, mas inclusive, e principalmente, aos partidos e líderes governistas. O Congresso Nacional não pode se isentar de sua responsabilidade num momento grave como esse.

    Este não é um assunto deste ou daquele partido político. O que está em jogo é a seriedade com a coisa pública. As ligações do secretário particular de Fernando Henrique com o juiz Nicolau dos Santos Neto, bem como o desvio do dinheiro devem ser totalmente esclarecidos. Mais de 90 milhões de reais estão desaparecidos e tudo leva a crer que foram parar em contas bancárias nos bordéis fiscais, como as ilhas Cayman e outros. É hora de investigar tudo, até o fim.

    SÉRGIO CRUZ

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