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Eduardo Jorge, traficante e gerente nº 1 dos
"negócios do chefe" FHC |
Por ser
exatamente homem de confiança de Fernando Henrique que Eduardo Jorge Caldas Pereira não
só controlava e manipulava os bilionários fundos de pensão, como também traficava
favores dentro do governo, atividade que se reverteu em negócios e sociedades
milionárias, que só foram reveladas após investigações do Ministério Público.
Ele era o traficante número um do
bando de Fernando Henrique. O caso Lalau é, a esse respeito, um modelo exemplar (exemplar
de corrupção): é Eduardo Jorge quem fez a intermediação entre Nicolau, Fernando
Henrique, Estevão, Martus Tavares e outros espécimens. Nicolau pedia o dinheiro;
Fernando Henrique dizia ao Congresso que era urgente aumentar a verba; Tavares, contra
todo o seu comportamento de cortador do Orçamento, redigia as justificativas para regar a
horta do prédio do TRT; o dinheiro era depositado na conta da Incal e depois Nicolau,
Estevão e as Cayman recebiam o seu. Mas tudo passava sempre por Eduardo Jorge, que
atendia Nicolau e Estevão, falava com Tavares e levava os pedidos para Fernando Henrique
assinar.
Em troca desses serviços, ele, mero
funcionário aposentando, enfiou-se em negócios variados. É sócio do grupo Meta, que
pretende açambarcar o Instituto de Resseguros do Brasil, negócio que também envolve
muitos bilhões; da L. C. Faria Consultores Associados, empresa que os procuradores da
República suspeitam ter recebido parte dos R$ 169 milhões desviados do TRT; da EJP
Consultores e de várias outras.
A sociedade de Eduardo Jorge com
Cláudio Haidamus, antigo lobista que se casou com sua sobrinha, tem sido profícua. Foi
através de Haidamus que o secretário particular de FH tornou-se sócio do Meta, grupo
que controla outras duas empresas, a Metacor e a Metaplan, e atua na área de seguros
principalmente seguros de contratos e instituições públicas. Colocou os irmãos,
os advogados Marcos e Rui Caldas Pereira, na negociata da Embraer e na venda da
Paranapanema, negócios que tiveram a participação da Previ, fundo de pensão do Banco
do Brasil, que ele manipulava. Os mesmos irmãos de Eduardo Jorge foram advogados da
Incal, a empresa que supostamente construía a infindável e superfaturada obra de Nicolau
no TRT-SP.
Através da influência junto ao seu
chefe, o caixa de FH liberou recursos do Banco do Brasil para a falida Encol. Para a mesma
empresa, ele conseguiu que a diretoria do BB aprovasse a rolagem da dívida de R$ 60,9
milhões. "O que faço é dar consultoria estratégica para compatibilizar políticas
empresariais com as políticas do governo" - assim Eduardo Jorge definiu seu tráfico
de influência, quando questionado sobre as suas sociedades obscuras.
Apesar de ter sido funcionário
público toda a sua vida, juntou uma fornida fortuna:
acaba de comprar um apartamento
avaliado em US$ 1,2 milhão, num luxuoso e paradisíaco condomínio.
Redação
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