Seu temor é que toda a roubalheira venha mais ainda a público Fernando Henrique anda preocupado com "as instituições". Coisa inédita. Até hoje nunca se soube que ele tivesse preocupação com instituição alguma, exceto com a instituição de suas contas nas ilhas Cayman ou outras assemelhadas. Segundo disse à jornalista Dora Kramer, a corrupção que "veio a público" é uma demonstração inequívoca de que "o Estado está se regenerando", mas a "impressão que dá às pessoas é exatamente contrária, de degenerescência", por isso pode "haver o risco do enfraquecimento do sistema político com o descrédito das instituições". Como pode o roubo ser uma demonstração de "regeneração"? Evidentemente, porque se trata do roubo dele, da corrupção dele. Essa, ele considera que é uma "regeneração". DEGENERESCÊNCIA Como pode a "regeneração" dar às pessoas a impressão de "degenerescência", isto é, de degeneração? Deve ser porque todos são idiotas, menos ele. Mas, fazendo a mesma pergunta com outras palavras, como pode alguém de caráter "dar a impressão" de que é um canalha? Certamente porque é um canalha e não um sujeito de caráter. Fernando Henrique, aliás, sabe tão bem disso, ainda que não o admita nem para si, que precaveu-se, atribuindo ao Estado o que é um problema seu. Coisas de psicopata, em suma, degenerados que sempre acham que podem transgredir a moral, agredir as pessoas e a sociedade sem arcar com as conseqüências - o que é, inevitavelmente, o motivo do seu fracasso. CORRUPÇÃO A única corrupção que "veio a público" foi a da sua quadrilha - das Cayman à Tejofran; das propinas para doar o patrimônio público até o assalto do presidente do PSDB ao Fundo de Amparo ao Trabalhador; da doação de dinheiro público aos bancos e arapucas da máfia palaciana ao superfaturamento de 2.800% na CDHU. É realmente com as "instituições" de sempre que ele está preocupado: a das contas nas Cayman, a das propinas, a das tramas para beneficiar os íntimos do esquema. Mais precisamente, ele não está preocupado: está apavorado. A ponto de não falar em outra coisa desde que dois empresários brasileiros foram presos pelo FBI em Miami. Sintomaticamente, ele falou que a ameaça às instituições está nas "práticas corruptas que estão vindo a público". Por que somente nas que estão "vindo a público"? Por que, para ele, a ameaça às instituições está apenas na corrupção que está "vindo a público"? Porque a corrupção que está pública é a dele. Evidentemente, não está preocupado com ameaça alguma às instituições - até mesmo porque ninguém atentou tanto contra elas. Não são as instituições, mas ele que se sente ameaçado. O que o apavora é que mais venha a público e que aquilo que já é conhecido fique mais público. Um temor completamente justificado. Pois vai ser, exatamente, o que vai acontecer. Para abafar o caso das Cayman, interveio na Procuradoria da República, afastou o diretor da Polícia Federal e demitiu dois ministros da Justiça que não permitiram que seu primo a amordaçasse. Tudo para que nada viesse a público. Mas o que já veio a público é uma ameaça tão grande que o obriga a chamar, alucinatoriamente, sua degeneração de "regeneração" - e em suas compulsivas arengas sobre a corrupção, não consegue fazer outra coisa senão prescrever sua legalização, através do financiamento público das campanhas eleitorais. Naturalmente, Fernando Henrique pretende estar falando da "corrupção" fabricada pela banda podre da mídia. Até porque é exatamente para isso que foi armada essa indústria de infâmias e corrupções fantasiosas: para desviar a atenção da sua. Mas não é a suposta "corrupção" na Prefeitura de Onde-O-Vento-Faz-A-Curva que ameaça instituição alguma. Nem a Globo e seu capo atual, Roberto Irineu - cuja bajulação por Fernando Henrique só tem limites porque tudo na vida tem limite - se atreveu a propugnar tese tão fenomenal, pelo menos não explicitamente. DEGENERADO Ele está falando, portanto, da sua própria corrupção. Da corrupção real, ainda que pretenda falar da inventada. Da corrupção que, se continuar por mais tempo, realmente porá em risco irreversível as instituições. Fora isso, não são as instituições que estão em "risco": é ele que está. Não são as instituições em geral que estão em "descrédito", mas ele. Não é o "sistema político" que está se enfraquecendo quando a sua corrupção é exposta à luz do dia, mas o "sistema" da sua quadrilha. Não é "o Estado" que dá às pessoas a impressão - aliás, totalmente apropriada - de degenerescência, mas ele, e simplesmente porque é um degenerado. CARLOS LOPES |